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Reflexão | Por que sofremos tanto?
Thursday, 16 May 2019 00:00


Outras pessoas vão mais além desta questão: “Por que Deus, sendo soberanamente justo e bom, permite que a sua criação sofra”? Na verdade, ninguém tem o destino do sofrimento, somos criados simples e ignorantes para que possamos evoluir através de nosso ego. As dificuldades são muitas vezes um reflexo da nossa conduta moral, do caráter e, sobretudo, de nossas ações. É a aplicação da lei de causa e efeito.

O ser humano tem sempre a necessidade de buscar algo, como forma de aliviar o sofrimento – paz, prosperidade, amor, bens materias – mas sempre se apresenta insatisfeito com o que tem e o que é. Hoje, a humanidade apresenta uma desnutrição de calor, de vivenciar e se relacionar com outros, desidratado do desconhecimento da razão de viver. O maior mal é aquele que criamos dentro nós mesmos, pelos nossos próprios vícios, aqueles que provêm de orgulho, egoísmo, ambição, de exageros nas suas expectativas.

O sofrimento é algo antigo, vem da nossa origem, em um passado muito distante. No início, quando a luta pela sobrevivência era a única preocupação humana, destacavam-se os padecimentos físicos e lutas pela sobrevivência. Na medida em que a mente foi se desenvolvendo, surgiram também as aflições do Ser, pautadas em suas vivências, problemas existenciais, angústias morais, frutos de suas próprias escolhas.

“Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus.” (Ecl. 3:12-13). Sofremos muitas vezes porque resolvemos não sair das situações que nos fazem infelizes. A origem da nossa dor parte de duas fontes distintas: as que são geradas na vida presente e as que têm origem em vivências agarradas ao nosso passado. Então devemos interpretar o sofrimento como uma espécie de punição? Tenho uma história para lhe contar:

Um filósofo passeava por uma floresta com um discípulo, conversando sobre a importância dos encontros inesperados. Segundo o mestre, tudo o que está diante de nós nos traz uma chance de aprender ou ensinar. Neste momento, cruzavam a porteira de um sítio que, embora muito bem localizado, tinha uma aparência miserável.

“Veja este lugar”, comentou o discípulo. “O senhor tem razão: acabo de aprender que muita gente está no Paraíso, mas não se dá conta e continua a viver em condições miseráveis”.

“Eu disse aprender e ensinar”, retrucou o mestre. “Constatar o que acontece não basta, é preciso verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas”.

Bateram à porta e foram recebidos pelos moradores: um casal e três filhos, com as roupas rasgadas e sujas. “O senhor está no meio desta floresta e não há qualquer comércio nas redondezas”, disse o mestre para o pai de família. “Como sobrevivem aqui?”.

E o senhor, calmamente, respondeu: “Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos; com a outra parte nós produzimos queijo, coalhada, manteiga para o nosso consumo. E assim vamos sobrevivendo”.

O mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por um momento e foi embora. No meio do caminho, disse ao discípulo: “Pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente, e jogue-a lá embaixo.

“Mas ela é a única forma de sustento daquela família!”, retrucou o discípulo.

O mestre permaneceu mudo. Sem ter outra alternativa, o rapaz fez o que lhe era pedido e a vaca morreu na queda”.

A cena ficou marcada na memória do discípulo. Depois de muitos anos, quando já era um empresário bem-sucedido, resolveu voltar ao mesmo lugar, contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los financeiramente. Qual foi sua surpresa ao ver o local transformado num belo sítio, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a família humilde tivera que vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático.

“Para onde foi a família que vivia aqui há dez anos?”, perguntou.

“Continuam donos do sítio”, foi a resposta.

Espantado, ele entrou correndo na casa e o senhor o reconheceu. Perguntou como estava o rapaz, mas o rapaz estava ansioso demais para saber como conseguira melhorar o sítio e ficar tão bem de vida.

“Bem, nós tínhamos uma vaca, mas ela caiu no precipício e morreu”, disse o senhor. “Então, para sustentar minha família, tive que plantar ervas e legumes. As plantas demoravam a crescer e comecei a cortar madeira para venda. Ao fazer isto, tive que replantar as árvores e necessitei comprar mudas. Ao comprar mudas, lembrei-me da roupa de meus filhos e pensei que podia talvez cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a colheita chegou, eu já estava exportando legumes, algodão, ervas aromáticas. Nunca havia me dado conta de todo o meu potencial aqui. Não sabia que a vaquinha era o que segurava à minha miséria”, contou

Apesar de bem-humorada, essa história nos ensina muitas lições. Todos nós precisamos descobrir qual é a vaquinha da nossa vida. Como devemos eliminar certas coisas que nos impedem para viver bem conosco mesmo e com os outros. Tenho uma palavra para lhe dar hoje: a felicidade depende completamente do que está incutido dentro de você, e não uma repercussão do que acontece ao seu redor ou situações a sua volta. Todos nós sofremos. Se você está vivo, vai experimentar sofrimento. Mas alguns entendem e descobrem que o segredo da felicidade vem por meio do sofrimento.

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.” (Mary Cholmondeley)

Para conhecer a causa do sofrimento, basta consultar a nossa própria consciência. Os nossos tormentos são reflexos de nossas decisões ou omissões, das atitudes egoístas, do orgulho e da vaidade que ainda domina nosso íntimo. As doenças físicas que sempre nos proporcionam momentos difíceis, são ocasionadas pelos excessos e a falta de cuidado para com a matéria. Ninguém mais é responsável por nossos dissabores, a não ser nós mesmos.

É verdade que ninguém em sã consciência busca o sofrimento. Não podemos escolher sofrer ou deixar de sofrer. Mas podemos escolher o que fazer com ele, sem medo de mudar ou de perder, aprendendo com ele, conscientes de que Deus, em sua infinita bondade, nos apresenta sempre oportunidades para escolhermos o novo, ampliando a possibilidade de crescermos e progredirmos.

Encare, portanto, o sofrimento como oportunidade de regeneração, de corrigir, educar, aperfeiçoar, exaltar, redimir e glorificar a alma humana. A chave para a felicidade está em nossas mãos. “Bem-aventurados os aflitos… porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus, 5:4,6 e 10). Como aliviar as dores do que não foi vivido? A resposta é simples: Se iludindo menos e vivendo mais!



Por John Kunihiro
Founder of Art Of Healing, Inc
Senior Director of Marketing
www.artofhealinginc.com

Last Updated on Thursday, 16 May 2019 17:29
 

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