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Saúde | PREVENÇÃO AO SUICÍDIO
Tuesday, 16 June 2020 00:00


O assunto sobre o suicídio, que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e pela falta de informação. A pandemia do COVID-19 agravou ainda mais esse cenário, com o distanciamento social dificultando a identificação de pessoas com tendências suicidas. Durante o isolamento social forçado em todo do mundo, visando combater o alastramento do coronavírus, os distúrbios mentais aumentaram e têm afetado todo o mundo. Para entender melhor sobre esse assunto, é preciso um pouco de estudo e compreensão sobre as causas, tratamentos e prevenção ao suicídio.

Suicídio é um ato deliberado, executado pelo próprio indivíduo, de forma consciente e intencional, buscando a morte, usando um meio que ele acredita ser letal, definitivo. No mundo, a cada 40 segundos uma pessoa comente suicídio. Nos Estados Unidos, a cada 11 minutos, e no Brasil a cada 40 minutos. Suicídio é a décima causa de morte no mundo.

O objetivo deste texto não é assustar e nem chocar ninguém, mas sim mostrar que esse não é um assunto qualquer. Não se trata de um assunto secundário, para ficar escondido, intocável, repleto de preconceitos, como um tabu. Deve ser analisado e discutido de forma clara, honesta e com respeito, e nos ambientes apropriados.

Por ser um ato chocante, que vai contra o instinto básico da vida, desperta emoções das mais diversas nas pessoas, sendo as principais a impotência, o não saber e o aceitar/respeitar o ser humano quem o cometeu.

Impotência de todos perante a morte. A constatação implacável de que a vida é efêmera, que não se tem controle sobre ela e que pouco sabemos sobre o ato da vida e da morte. O não saber, pois o real porquê do ato vai embora com aquele que se matou, e quem fica busca uma explicação para apaziguar o coração. Para respeitar a dor de quem foi e a de quem ficou.


Trata-se de um processo multifatorial, uma conjunção de fatores na qual existia um sofrimento interno intenso, intolerável, e que por diversas vezes houve tentativas de comunicação, de expressão dessa dor psíquica. Frequentemente, quando alguém pensa em suicídio, ela quer matar a dor e não a vida.


As grandes crises, sejam individuais e/ou coletivas, existenciais, de identidade, traumáticas, financeiras, de relacionamento, são momentos de oportunidade, mas dependem de ação. No entanto, para muitas pessoas as crises não são vistas desta forma, por falta de estrutura psíquica interna, e daí vem a morte como escape, uma opção para resolver aquela situação.

A cartilha da Sociedade Brasileira de Psiquiatria aponta os “3 D” do comportamento suicida: Desamparo, desespero e desesperança. A OMS relaciona as três características principais de um comportamento suicida como sendo: a ambivalência, por exemplo: não quer morrer, mas aniquilar o sofrimento; impulsividade, na qual o indivíduo atua ao invés de colocar em palavras; e pensamento rígido, que é a inflexibilidade para compreender as diversidades da vida. Entenda que esses itens não aparecem isoladamente, mas sim numa composição.

A prevalência é maior na adolescência, que é uma fase de crise de identidade, de separação e da busca de sua posição no mundo, muitas vezes influenciada por uma visão de falta de oportunidades; e na velhice, período da vida em que as perdas se tornam frequentes, como também as limitações, as restrições e muitas vezes uma falta de expectativa para a vida.

O suicídio é um processo de “morrência”, em que se vai definhando existencialmente, em que as coisas não fazem mais sentindo, vai se perdendo o propósito da vida, a capacidade de sonhar. A pessoa vai permitindo que a vida vá indo embora, que a chama da vida vá se apagando. Em que os abalos, as frustações, decepções, os traumas e os abusos não resolvidos passem a sugar a força e a energia da alma; e a luz vai se apagando.


SINAIS DE ALERTA


Sinais verbais diretos: “Eu quero sumir”; “Eu quero morrer”; “Eu queria um botãozinho para acabar com tudo”.

Sinais verbais indiretos: “Daqui a pouco vocês não vão ter mais preocupação comigo”; “Em breve não vou dar mais trabalho”.

Sinais comportamentais: isolamento, mudanças abruptas de comportamento, desfazer-se de objetos até então valiosos, telefonemas do tipo despedida, automutilação, falas de falta de sentido na vida, distúrbios do sono, transtornos mentais sem melhora significativa (depressão importante, esquizofrenia, distúrbio bipolar).

Todos esses sinais citados acima vão surgindo e se manifestando, habitualmente, fora do contexto do momento, da conversa, do momento da vida da pessoa. Vai se notando que o brilho nos olhos diminui, os prazeres que antes eram parte da vida daquela pessoa vão sendo deixados de lado e que o desejo de lutar, reformular e construir não se manifestam.

Suicídio e os processos destrutivos não são hereditários, não são genéticos, não estão no sangue das pessoas. Karina Okajima Fukumitsu, Pós-doutorada em Psicologia USP e Coordenadora da Pós-graduação em Suicidologia, entende que os processos destrutivos são apreendidos, são as melhores maneiras que a pessoa teve para responder a adversidades que foi vivendo na vida e que não soube superar. Tanto como se aprende a ir se destruindo, há como aprender a como viver bem, a como vencer, a como superar as dores da existência.


A melhor vacina para o sofrimento existencial é o acolhimento, o respeito, o não julgamento discriminatório e pejorativo. Tenha uma atitude compreensiva e colaborativa e, sobretudo, ativa. Ofereça, “empreste” esperança e confiança. É ajudar as pessoas a encarar de frente o sofrimento, a legitimar a sua história, respeitarem-se e se amarem como elas verdadeiramente são e se autoconhecerem, pois nos momentos de tsunami da vida, os pilares são os nossos valores internos, a força interior de cada um. Essa força e valores existem em todos, mas muitas vezes tem de ser desenvolvida; transformar a dor em amor, transformar o medo do desconhecido em fonte de curiosidade e conhecimento. Precisamos aprender a nos surpreender com a vida e deixar que a vida nos surpreenda.


Por isso que é tão importante a presença de pessoas de valores sólidos, sinceros, amorosos na vida de relacionamento. Famílias bem constituídas, reais amizades, relacionamentos sinceros e seguros, comunicação clara, transparência, empatia e pessoas de referência, como exemplo de valores éticos e morais. Assim se pode construir personalidades capazes de enfrentar os desafios da vida. A rede de apoio é fundamental.

Para aquelas pessoas que tentaram, e que felizmente não alcançaram o suicídio, é fundamental trabalhar a ressignificação das percepções da vida e mobilizar a energia de vida, da superação (super - ação); resgatar o prazer da vida, auxiliar a pessoa no entendimento do seu propósito de vida.

Como diria o psicólogo americano Edwin S. Shneidman, “suicídio é um ato definitivo para um problema temporário.” E no momento da crise, tire o “s” dessa palavra e CRIE!



Dr. Carlos Hanzani
Médico Homeopata e Psicanalista na Art Of Healing Atlanta-Clinic
www.artofhealinginc.com
Phone: (404) 355-1662

Last Updated on Tuesday, 16 June 2020 20:25
 
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