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Saúde | MEDO X FOBIA
Tuesday, 15 December 2020 00:00


O medo é uma resposta natural e saudável de nosso organismo; é um estado emocional comum, perfeitamente normal e benéfico para nos manter alertas e mais focados. Sua principal função é a preservação da vida e surge quando nos sentimos ameaçados por algo ou alguém que possa nos ferir, destruir, causar danos físicos e/ou emocionais.

Não se limita apenas quando a ameaça é à nossa pessoa, mas ao mundo em que vivemos e do qual dependemos. A experiência do medo não é negativa como pode parecer à primeira vista. Na verdade, são as experiências temerosas, um mecanismo evolutivo que nos permite enfrentar situações de risco ou perigo. Desta forma, se o nosso cérebro não identificasse o perigo estaríamos com a nossa sobrevivência em perigo.

Sem o medo, provavelmente, muitas espécies teriam entrado em extinção por se expor a situações de risco constantemente. Sem o medo o planeta Terra já poderia ter sido destruído.

O medo nos protege, evita que fiquemos expostos ao que pode nos causar dano, faz pensar com mais cuidado antes de tomarmos determinada atitude e, por isso, também pode impedir que tenhamos comportamentos inadequados. Pode também surgir quando nos confrontamos com algo novo e desconhecido. Ajuda-nos a entender que não basta tomar atitudes para realização dos desejos humanos.

O medo funciona como um sinalizador, ajudando a pessoa a se preparar para alguma situação de risco ou de sofrimento. Em alguns momentos, surge como uma reação súbita a uma situação repentina de perigo inesperada, identificada numa percepção imediata, de primeira impressão, por exemplo os sustos.

Além disso, o medo é um grande professor, pois quando bem entendido, decifrado, decodificado, mostra-nos as nossas deficiências, o que ainda não sabemos, que habilidades ainda não possuímos para enfrentar algo que nos ameaça, incomoda e até mesmo bloqueia ou inviabiliza a realização das nossas metas, desejos e sonhos.

O medo é um mecanismo automático e primitivo de sobrevivência, presente em todos os seres vivos, ou seja, um instinto. Para estarmos preparados para enfrentar e resolver um evento de risco ou perigo, o cérebro libera automaticamente, e de forma ultra rápida, os neurotransmissores como a adrenalina e o cortisol, que fazem o coração bater mais forte e rápido, para bombear mais sangue, os pulmões receberem mais oxigênio, as pupilas se dilatarem para facilitar a visão, os músculos ficarem mais tensos e preparados para a ação e a força física aumentar substancialmente. É uma reação instintiva conhecida como “lutar ou fugir”, em que o corpo se prepara para tomar uma decisão imediata.

Além do sentimento de preservação da vida, que é nato, há muitas formas desse instinto se estruturar na personalidade de uma pessoa, como a repetição das primeiras sensações de dores, de falta, de vazio que não foram supridas, aliviadas ou entendidas e o receio de senti-las novamente. Outra forma de aprendizado é pela vivência com terceiros. A criança vê, sente e aprende com as reações dos adultos com quem vive e pode introjetá-las. Existe também o medo oriundo do trauma: se você foi ameaçado ou agredido por um animal, ou por outro ser humano quando criança, pode carregar a apreensão por um longo período ou pelo resto da vida.

Outro exemplo é que muitas pessoas temem vivenciar um desastre natural, embora nunca tenham tido essa experiência. Como sabem de sua característica destrutiva, sentem medo de perder seus pertences pessoais, de se ferirem, de terem a sua casa destruída ou de perderem a vida. Neste caso, o sentimento é alimentado por um conhecimento prévio adquirido por fontes externas.

Por fim, existe o medo do desconhecido, tipicamente relacionado a histórias de fantasmas, a eventos que as capacidades mental e intelectual não conseguem explicar e entender, e a situações inéditas como, por exemplo, a pandemia de COVID-19, e ao futuro. Muitas vezes, o medo também está ligado à ansiedade gerada pela antecipação mental do perigo a ser enfrentado.

Como vimos o medo é natural ao ser vivo. No entanto, há pessoas que possuem medos constantes, intensos, muitas vezes irracionais e desproporcionais à real situação, configurando uma síndrome neurótica: a fobia. Nesses casos, é comum o indivíduo apresentar batimento cardíaco acelerado, tremor, queda de pressão, tontura, sudorese excessiva, sentimentos de fraqueza nas pernas, aperto no estômago, cólicas abdominais, diarreias, inúmeros outros sintomas desagradáveis ao vivenciar uma tal situação e até mesmo pensar naquilo que teme.

Pessoas que apresentam fobia, muitas vezes, sabem que seu medo é desproporcional, mas não conseguem lidar com tal situação. A angústia é tão intensa que o indivíduo faz o possível para evitar e se expor a situações que lhes causem esse sofrimento e gastam uma enorme quantidade de energia e tempo buscando mapear essas possibilidades. Tudo isso traz prejuízo significativo ao dia a dia, limitações progressivas, mudança de hábitos e de comportamentos da pessoa. Essa conduta esquiva pode afastá-la do trabalho, de amigos e de familiares. O isolamento autoimposto priva a pessoa de aproveitar os aspectos bons da vida, essenciais para a saúde mental. Por se tratar de um medo irracional, a pessoa raramente consegue ter essa percepção e o indivíduo não consegue ultrapassar as suas barreiras internas, e torna-se um prisioneiro dentro de si mesmo.

Há diversos tipos de fobias. As específicas possuem um estímulo bem definido, conhecido como estímulo fóbico, como os relacionados a animais, ambientes naturais (chuvas), injeção-sangue-ferimentos, situacional (exemplo: medo exagerado de viajar de avião) e outros (como o medo exagerado de pessoas com fantasias, palhaços, máscaras etc.).

Há também a fobia social, no qual o indivíduo apresenta um medo acentuado em relação a situações sociais em que ele pode ser avaliado de forma negativa por outras pessoas. Outra forma é a agorafobia, que é o medo desproporcional em relação a duas ou mais das situações a seguir: uso de transporte público; permanecer em espaços abertos; permanecer em locais fechados; permanecer em uma fila ou ficar em meio a uma multidão; ou sair de casa sozinho. Nesses casos, o indivíduo teme que alguma situação desagradável aconteça e ele não seja capaz de escapar ou obter auxílio.

Não levar tão a sério os seus sentidos em relação a algo que evita fazer, pode não ser a melhor saída, afinal, você apenas esconde por um tempo esse sentimento, mas ele sempre vai continuar ali, em algum lugar, trazendo desdobramentos e crescendo. Muitas vezes temos vergonha de expor nossas questões e, por isso, é tão comum se substituir uma ação, ao invés de buscar entendê-la, e buscar formas de resolver.

Infelizmente, essa é uma situação que está muito presente atualmente. Por inúmeros motivos, a sociedade já tem apresentado um número muito significativo de pessoas em estado fóbico latente. A pandemia pelo COVID 19 foi a fagulha que caiu num paiol repleto de palha seca.

Lamentavelmente, embora seja um sentimento muito valioso a vida, é também muito usado de forma errada e muitas vezes até criminosa, para aprisionar, subjugar, limitar as capacidades humanas. Seu verdadeiro e honesto papel é colaborar no autoconhecimento, no desenvolvimento da humanidade e no desvendar dos mistérios da vida.

O medo não é um sentimento, uma emoção a ser vencida. Não é o medo que nos trava, o problema é não o entender. É um sentimento fundamental na existência. Olhar para ele, ouvi-lo e, principalmente, aprender com ele, torna a vida muito mais fácil, agradável e é uma verdadeira chave para a liberdade.



Dr. Carlos Hanzani
Médico Homeopata e Psicanalista na Art Of Healing Atlanta-Clinic
www.artofhealinginc.com
Phone: (404) 355-1662

Last Updated on Tuesday, 15 December 2020 19:21
 
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