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Saúde e Bem Estar | Como conviver com alguém que tentou suicídio
Wednesday, 14 August 2019 00:00


Se alguém de sua família ou um amigo bem próximo a você tentou cometer suicídio recentemente, é natural que você se sinta perdido, assustado e preocupado. Por não saber o que fazer ou dizer, primeiro se tenta negar a situação ou minimizá-la defendendo a ideia que “não foi de verdade, se fosse teria se matado mesmo”, ou falando “ele só queria chamar a atenção”. Infelizmente, essas posturas ou falas denunciam o total despreparo que sofremos a respeito do assunto, o qual se mostra cada dia mais frequente.

Colocar a vida de volta nos trilhos, tanto para a pessoa que tentou o suicídio como para aqueles que estão muito próximos, como família e amigos, não é fácil. Leva-se tempo para que todos se recuperem física e emocionalmente do trauma. É natural se ter muitos sentimentos confusos, pensamentos circulares e preocupações. E todos, inclusive o suicida, não sabem exatamente o que estão sentindo e não entendem exatamente o que aconteceu.


O FATO É QUE NÃO ENTENDEMOS O SUICÍDIO


Não entendemos que o suicídio leva a um resultado trágico, que foi ou é resultado de uma resignação diária e sistemática, que levou o indivíduo a não acreditar em qualquer possibilidade de mudança de rumo, da história de sua vida, acreditando ele que “foi, é e será sempre assim”. Por isso, o comportamento de negação ou a diminuição do que foi o ato por parte de quem está ao redor será sempre uma forma de demonstrar que o indivíduo que se suicidou tinha razão. Ninguém o entende.

Não entendemos que os suicidas, não querem, na maioria das vezes, se matar, mas querem matar a dor que estão sentindo por muito tempo. Por esta razão, qualquer comportamento que desvalorize os seus sentimentos só reforça a dor e o fato de que ninguém os entendem.

Não entendemos que o suicida, antes de tudo, é um imitador. Ele tentou primeiro imitar os outro tentando mostrar que estava bem, tentando evitar a dor. Depois passa a imitar os suicidas, em seus comportamentos e pensamentos. Sendo assim, qualquer comportamento baseado em um padrão não surtirá efeito algum na vida de quem luta contra a própria vida.

Não entendemos que mais do que negação da vida ou afirmação da morte, como falam os que querem “filosofar” sobre o suicídio, faz com que o suicida seja alguém que acha que já perdeu tudo. Não é uma questão filosófica ou teórica, é um fato. Ele sente que perdeu tudo. Nada nele ou dele vai poder ajudá-lo. Por esta razão, tentar mostrar que ele tem coisas boas dentro dele não surtirá muito efeito.


O QUE FAZER ENTÃO?


É necessário, primeiramente, conversar com a pessoa e ensiná-la a desconfiar do destino. Não estamos presos em uma história na qual não se pode fazer nada. Estimule-a a acreditar na vida e no que a vida oferece, ainda que esta seja cheia de altos e baixos, ainda que não se possa dizer como será o amanhã, porque o amanhã pode trazer qualquer coisa, inclusive soluções e respostas que não chegaram até hoje.

Vamos então a prática!


BUSQUE E OFEREÇA SUPORTE ADEQUADO IMEDIATO!


Se alguém acabou de tentar o suicídio, é imprescindível consultar um médico ou profissional de saúde mental o mais rápido possível, mesmo que a tentativa não tenha parecido fatal. Leve a um hospital ou clínica para garantir que a sua saúde física e mental estejam bem. Nunca concorde em deixar a pessoa que tentou o suicídio sem esse tipo de assistência profissional.

Sabemos que ir a um hospital pode ser uma experiência assustadora, tanto para a pessoa que tentou o suicídio como para os familiares. A espera, o corre-corre dos profissionais de saúde e a aparente falta de controle sobre a situação podem parecer inquietantes, mas é no hospital que os profissionais procurarão qualquer lesão física, fazendo exames laboratoriais. Depois que os problemas encontrados forem tratados, será providenciado que um profissional de saúde mental converse sobre o que estava acontecendo antes da tentativa. E usando as informações dessa conversa, o profissional o ajudará a fazer planos para os próximos dias e também falar sobre o que pode ser útil nas próximas semanas.


CONFIDENCIALIDADE


Lembre-se que é um momento muito difícil para todos, principalmente para aquele que tentou o suicídio. Portanto, mesmo sendo da família ou alguém muito próximo, não tire fotos da pessoa, não compartilhe em redes sociais. Esta é uma exposição que até pode fazer com que a pessoa ganhe alguns seguidores, mas com certeza trará grandes prejuízos para aquele que está tentando sobreviver a uma tentativa de suicídio. Se quiser pedir ajuda, faça-o pessoalmente. Num momento inicial, procure envolver o menor número de pessoas possíveis.


OS PRIMEIROS DIAS


Após uma tentativa de suicídio os primeiros dias são críticos para todos e aparecem questões como:

- E agora?

- Como posso ter certeza de que não vai acontecer de novo?

- Como posso estar seguro?


Não há respostas claras e/ou objetivas para essas perguntas, mas há coisas que podem ser feitas:


  • Deixe que outras pessoas, inclusive os profissionais, ajudem quando for possível;
  • Não deixe a pessoa que tentou suicídio sozinha. Considere pedir a alguém de confiança para ficar com ela até que as coisas se acalmem;
  • Siga o conselho dos médicos e aplique qualquer medicamento que tenha sido prescrito;
  • Tente estabelecer uma rotina para o sono, as refeições e os exercícios;
  • Mantenha consultas com conselheiros, terapeutas e médicos;
  • Remova as coisas e em torno da casa com as quais o suicida poderia se machucar;
  • Evite completamente o uso de álcool e drogas;
  • Cerque-se de pessoas nas quais o suicida confie, que o ouvirão sem julgamento e com quem ele gosta de estar;
  • Procure ajuda espiritual, se a pessoa que tentou o suicídio tem algum tipo de crença.

O QUE NÃO FAZER


  • Entrar em pânico: “Isso não pode estar acontecendo! Eu não sei o que fazer!”
  • Xingar: “Você é um verdadeiro psicopata.”
  • Criticar: “Isso foi uma coisa tão estúpida para fazer.”
  • Sermões: “Você sabe que não deveria ter feito isso; você deveria ter pedido ajuda.”
  • Ignorar: “Se eu apenas fingir que isso não aconteceu, vai sumir.”
  • Abandonar a pessoa: “Eu não posso aceitar isso, vou embora.”
  • Punir a pessoa: “Eu não vou falar com você até que você se endireite.”
  • Drama: “Esta é a pior coisa que você poderia ter feito!”
  • Simplificar demais: “Você só precisa de um remédio e vai se sentir bem novamente.”
  • Ficar com raiva: “Não acredito que você tenha tentado isso!”
  • Fazer a pessoa se sentir culpada: “Como você acha que isso me faz sentir?”
  • Não se sentir culpado: “Se eu tivesse ficado mais perto...”

O APOIO NA PRÁTICA


Esteja disponível e deixe a pessoa saber que você vai ouvir. É muito importante criar um “espaço seguro” para a pessoa falar. Isso ajuda a construir ou restabelecer a confiança entre você e a pessoa com a qual você está preocupado.

Não é bom tocar no assunto do suicídio o tempo todo, mas esteja disposto a ouvir caso a pessoa queira falar sobre. Caso ele queira discutir a tentativa o tempo inteiro, seja paciente e deixe-o falar por quanto tempo quiser. Trata-se de um modo natural de processar o ocorrido. Tente entender os sentimentos e a perspectiva da pessoa antes de explorar as soluções junto a ela.

Lembre-se: é certo que, se você não é um suicida, você nunca irá entender o que se passa na cabeça de uma pessoa antes de uma tentativa de suicídio. Mas se você se importa com seu familiar ou amigo, e sabe o que tem ocorrido na vida dele, é possível se esforçar para compreender a dor dele. Na maioria das vezes, ouvir é mais importante que dizer a coisa certa. E necessário remover os possíveis meios de suicídio, incluindo drogas e álcool, para manter a pessoa segura.

Apoie a pessoa na exploração e desenvolvimento de planos e soluções realistas para lidar com sua dor emocional. Para não reconhecer o suicídio como solução, ela precisará ver mudanças reais em sua vida. Geralmente é um caso de dar pequenos passos no começo, pois as dificuldades da pessoa não foram criadas da noite para o dia.

Ajudar com as pequenas tarefas pode fazer uma diferença enorme. Nunca pense que algo é pequeno demais. Fique atento quando ela precisar de ajuda, por exemplo: seu amigo ou familiar pode comentar que não saiu da cama o dia inteiro e está evitando telefonemas. É um sinal de que ele está se afastando dos outros. Essa pode ser a hora de chamar alguém que possa ajudar.

É importante que o suicida assuma a maior responsabilidade possível por seu próprio bem-estar, de ver do que ele é capaz de fazer. Isso pode ser difícil para você considerar, pois você pode não se sentir capaz de confiar no seu ente querido naquele momento.

Conte com a ajuda de outras pessoas e se certifique de que você receba familiares e amigos para ajudá-lo a apoiar a pessoa. Lembre-se de que você não precisa fazer o papel de conselheiro, psiquiatra ou médico. Incentive a pessoa que tentou o suicídio a utilizar os suportes profissionais disponíveis para ele.

Considere ajudar a pessoa a escrever um plano de segurança que detalha os passos que aqueles que estão ao seu redor precisam tomar para se manterem seguros caso o indivíduo se sinta tentado a cometer outro suicídio. Ter um plano concreto em prática pode ajudar todos a se sentirem mais preparados e assim controlar a possibilidade de futuros pensamentos suicidas da pessoa.

Nunca aceite guardar segredo sobre a possibilidade de outra tentativa de suicídio. Pessoas próximas e importantes devem saber, não só do ocorrido, como também da possibilidade de acontecer novamente, para que também possam ajudar.

Ofereça um pouco de esperança sobre o futuro. Faça com que a pessoa pense e fale sobre a esperança e pergunte sobre como ela o tem influenciado ultimamente. A intenção é ajudar sempre!



Dr. Wesley Bandeira
Fundador e criador da terapia CTERT
Core Transformation Emotional Relieve Therapy
Terapeuta na Art Of Healing Atlanta-Clinic

Last Updated on Wednesday, 14 August 2019 19:18
 
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