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Diário de Pandemia | AFRODESCENDENTES EM FOCO


31 DE AGOSTO FOI DECLARADO O DIA INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES


Para quem ainda insiste em dizer que racismo não existe, que esse debate do movimento negro e ativistas a favor das causas afro centradas são “mimimi”; para quem ainda não reconhece o caos e a trágica violência em povos africanos no mundo devido ao tráfico de escravos realizado pelos europeus para dominar as Américas; para quem ainda argumenta que o Brasil é lindo e miscigenado, e que esse problema não é tão relevante... vale a pena a notar o que as estatísticas referentes ao Brasil refletem como estamos em caminhos opostos de uma sociedade mais humana, principalmente em relação ao afrodescendentes.

Em postagem numa rede social, o perfil “Quebrando Tabu” publicou que do total de mulheres assassinadas no Brasil em 2019, 66% eram negras. Em termos relativos, enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras foi de 2,5, a mesma taxa para as mulheres negras foi de 4,1. Isso quer dizer que o risco relativo de uma mulher negra ser vítima de homicídio é 1,6 vezes maior do que o de uma mulher não negra.

“Isso é nosso legado, fruto de uma nação racista, escravocrata, e que relegou a população negra às piores condições de vida, aos piores absurdos do ponto de vista de discriminação, e que se refletem até hoje quando a gente fala dos indicadores de educação e de mercado de trabalho, e que talvez ainda ficam mais visíveis quando falamos dos índices de violência”, afirma Samira Bueno, coordenadora do Atlas (perfil @universa_uol no Instagram).

O Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) destaca número expressivos sobre o genocídio negro, outro disparador do projeto político em eliminar os negros. Isso faz parte do racismo estrutural que não permite vida aos jovens negros. Um direito Humano! O CEERT destaca: assassinatos de 40 mil pessoas ao ano de um único grupo racial: os negros; população carcerária composta em 61,6% por negros; somente 2,1% do corpo de professores da principal universidade do país, a Universidade de São Paulo (USP) é composto por negros, e ainda com renda média de 59,2% do que recebem os brancos. De acordo com a Fiocruz, 65,9% das mulheres mortas por violência obstétrica são negras.

A ONU (Organização das Nações Unidas) quer desenvolver a Promoção das Riquezas da Diáspora Africana para erradicar todas as formas de discriminação contra negros. Ela declara que “qualquer doutrina de superioridade racial é falsa do ponto de vista científico, condenável do ponto de vista moral, socialmente injusta, perigosa e deve ser rejeitada” e ainda ressalta que o tráfico de africanos é uma das coisas mais sombrias e devastadoras que já foi visto na história da humanidade.

Segundo alguns pensadores, o medo, a ignorância, a falta de ética e de respeito à diversidade geram violência e injustiça social. A sociedade foi organizada para sempre pensar que é normal o negro morrer diariamente ou não ser considerando um ser humano. É preciso mudar, sendo antirracistas efetivamente na prática.

A sociedade precisa avançar o debate e se unificar nas práticas de antirracismo, de apoio e suporte à toda comunidade negra. A comunidade negra precisa de oportunidades, pois somos competentes o suficiente para nos fortalecer a partir de mais oportunidades, reconhecimento e proteção. Temos o direito de sermos livres para promover outras contribuições para o bem social.

Os brasileiros precisam lutar por isso para que as mortes sistemáticas no Brasil sejam consideradas genocídio, como foi o holocausto para os judeus, e outros genocídios mundiais, pois as mortes de negros no Brasil são comparadas com número de mortes de países em guerra. Os negros são atores políticos e essa pauta precisa ser internacional.

Que o dia 31 de agosto seja respeitado e estimule toda a sociedade a se organizar na promoção de ações antirracistas para e com o povo negro!




Por Terezinha Ribeiro
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Instagram: @tmjribeiro

 
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