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Diário de Pandemia | HERÓIS NEGROS COMO ALIMENTO E RESISTÊNCIA DA HUMANIDADE


Você gosta de ler? Qual seria sua história favorita? Qual é a história que lhe trouxe um ensinamento para vida? Segundo o escritor Ilan Brenman, não há mais resiliência no mundo que as boas histórias que passam anos e anos e sendo contadas.



Algumas memórias são eternas nas nossas vidas, possuem significado e conexão com a nossa alma. Mas nem todas as histórias possuem esse poder, pois as que não mexem com nossos conflitos internos são as denominadas “fast food”; estas não chegam a alimentar nossa alma. As histórias de super heróis e dos super heróis negros são exemplos de histórias que alimentam.

A carência de boas histórias é imensa, principalmente nos tempos atuais. Por isso, as pessoas ficam impressionadas como o filme Black Panther rendeu mais de 1 bilhão de dólares nos cinemas. O Pantera Negra é muito mais que um personagem da Marvel Studios, transformou-se um fenômeno cinematográfico e no imaginário coletivo das pessoas no mundo, principalmente na comunidade negra. O Príncipe T’Challa volta para a nação africana reclusa e tecnologicamente avançada de Wakanda para ser o novo rei de seu país e descobre que é desafiado ao trono por facções de seu próprio país, e assim o herói Pantera Negra deve se unir ao agente da CIA, Everett K. Ross, e aos membros da Dora Milaje, forças especiais Wakanda, para evitar que a nação entre numa guerra mundial.



A população negra e brasileira, escassa de boas histórias e de heróis negros, se identifica com esse incrível filme e personagem do afro-culturismo. E além dessa referência, o ator Chadwick Aaron Boseman, protagonista de Black Panther, travou uma batalha contra o câncer na vida real por quatro anos em segredo e nos deixou em 28 de agosto deste ano, comovendo a todos, e se tornando um herói real.

Nesse contexto do filme e herói Pantera Negra, vemos o afro-futurismo que é um movimento estético, histórico e científico que tem a ancestralidade como eixo condutor das narrativas africanas. O livro The Hero with African Face: Mythic Wisdom of Traditional Africa, de Clyde Ford, ressalta que a mitologia começa quando a investigação científica termina. Deste modo, metaforicamente, o poder dos Orixás (Oxum, Oxóssi, Iemanjá, Xangô etc.) como heróis negros complementam o entendimento do afro-futurismo.

Segundo Flavio Kabral, autor dos livros O Caçador Cibernético da Rua 13 e A cientista Guerreira Facão Furioso, entende Black Panther como uma declaração de amor ao povo preto. O personagem do homem negro não aparece como malandro, bandido ou perdedor, mas devolve à comunidade negra os sonhos da realeza africana de um homem preto, nobre e inteligente. A ficção afro-futurista Black Panther nos conecta com as lendas ancestrais. Para Flavio Kabral, heróis e mitos negros são verdadeiras metáforas e devem ser entendidos de forma histórica, espiritual e científica. Mitos precisam ser compostos com elementos simbólicos que proporcionam ensinamentos na complexidade humana.

O poder de transformação das histórias está nos ensinamentos, valores e virtudes humanos. Resgatar os heróis que não estão na mídia como o Lion Man, criado em 1941 por uma revista em quadrinhos (ALL-Negros Comics), que possui muita similaridade com Black Panther, sem grandes resultados na época devido ao racismo e não aceitação da diversidade no universo dos quadrinhos. Heróis negros agora são investimentos dos Estúdios Marvel e outros.



O autor brasileiro Ale Santos aborda em seu livro “Rastros de Resistencia” os heróis do imaginário coletivo como Chico Rei, Rebouças e Luís Gama. Ele aborda a supressão dessas narrativas e o apagamento deliberado pelos governos brasileiros, destacando heróis de luta e de liberdade em sua obra.



Na ficção ou na realidade, os heróis carregam a simbologia das mitologias, lutam contra o próprio ego e demonstram a superação de limites em vitórias coletivas. Os mitos africanos nos transformam em reis, rainhas, heróis e criadores do nosso próprio destino, segundo Clyde Ford. A nossa ancestralidade africana é o nosso escudo na luta de defesa da nossa humanidade e as boas histórias fazem muito bem a todos. Saibamos aproveitá-las e vivê-las!



Por Terezinha Ribeiro
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